Portugees Dordtse Leerregels samenvatting - Um resumo popular dos Cnones de Dort

RESUMO DOS CINCO ARTIGOS DE FÉ
CONTRA O ARMINIANISMO

Um resumo popular dos Cânones de Dort

por Rev. Pedro K.Meijer

1996

Igrejas Reformadas do Brasil

C.P.7112, Areias, Recife, PE
C.P.4171, Curitiba,

Introdução
Os Cinco Artigos De Fé Contra Os Arminianos são uma declaração sobre a doutrina das Igrejas Reformadas. Algumas partes funda-mentais desta doutrina começaram a ser atacadas na Europa, no início do século XVII. Especialmente o teólogo holandês Jacobus Arminius com seus aliados e seus seguidores (chamados de 'arminianos') queriam modificar a doutrina reformada.
Uma assembléia geral da Igreja Reformada da Holanda condenou a doutrina dos 'arminianos'. Trata-se do Sínodo de Dort, realizado nos anos 1618 e 1619 na cidade holandesa de Dort com a colabora-ção de delegados de igrejas reformadas de outros países europeus. A declaração deste sínodo chama-se oficialmente Os Cânones de Dort. No Brasil usamos também como título:"Os Cinco Artigos De Fé Contra O Arminianismo". Eles se tornaram, para o mundo reformado e presbiteriano, um documento doutrinário e pastoral.
Este documento trata das seguintes cinco doutrinas:
- predestinação ou eleição;
- o que é e para quem é a salvação pelo sangue de Cristo;
- a profundidade da queda do homem;
- fé e conversão;
- a perseverança dos crentes.

Estas doutrinas estão interligadas porque todas elas tratam da depravação total do homem e da graça soberana e perfeita de Deus.

Quanto ao termo "arminianos", não existe nenhuma denominação com este nome, mas muitas igrejas evangélicas de hoje são de fato arminianas em sua doutrina ou em sua prática de evangelização. Elas negam a doutrina da graça soberana de Deus atribuindo ao homem a possibilidade de se decidir por Cristo e a livre vontade de escolher o caminho da salvação.

Quem concorda com a frase "Só a Deus a glória" reconhecerá na doutrina reformada uma expressão desta frase de adoração.

Observação: os números entre parênteses que se encontram abaixo, antes de cada seção, se referem ao texto completo dos Cinco Artigos de Fé. Por exemplo, (I,1-3) se refere ao Capítulo I, os artigos 1,2 e 3.


Capítulo I : Deus escolhe certas pessoas, e outras não.
Isto significa que Deus decidiu adotar algumas pessoas como seus filhos e continuar a rejeitar as demais pessoas. Esta decisão chama-se o decreto da eleição e da reprovação.

Todos condenáveis. O amor de Deus é pregado neste mundo. (I,1-3)
a) Nenhum de nós merece ser escolhido por Deus para ser seu filho. Todos nós pecamos em Adão e merecemos ser condenados à morte eterna.
b) Mas Deus mostrou seu amor quando mandou seu Filho ao mundo. A Bíblia diz: Quem crê em Cristo, o Filho de Deus, terá a vida eterna, e não a morte eterna (João 3:16).
c) Este evangelho é pregado neste mundo onde e quando Deus quiser. O evangelho de Cristo é indispensável para a fé. "...E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue?..." (Romanos 10:14).

Incredulidade e o dom da fé. (I,4-5)
a) A pregação do evangelho tem um duplo resultado. Por um lado, há pessoas que não crêem em seu evangelho. Deus permanece irado contra elas. Por outro lado, há pessoas que aceitam e abraçam Jesus, o Salvador, com uma verdadeira fé. Ele as salva da ira de Deus.
b) A incredulidade do homem não vem de Deus, mas a fé e a salvação são dons gratuitos de Deus. "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus" (Efésios 2:8).

Decreto eterno de Deus. (I,6)
a) Deus não dá a fé a todos. Ele age assim conforme sua eterna decisão (decreto) como diz Efésios 1:11, "...(Deus) faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade...".
b) Em sua graça, Deus quebra a resistência dos eleitos e os leva a crer. Mas os demais, Deus os deixa como são: maliciosos e duros; isto é seu justo juízo. Assim Deus faz uma distinção entre os homens embora os eleitos não sejam melhores que os demais. Esta distinção mostra sua misericórdia para com os eleitos e sua justiça para com os não-eleitos.
c) A Palavra de Deus nos ensina o decreto divino da eleição e reprovação. "...e creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna". (Atos 13:48).

Eleição é uma coisa definida. (I,7)
a) Deus escolheu um número grande e definido de pessoas para salvar. Essa escolha data de antes da fundação do mundo (Efésios 1:4).
b) Ela foi um ato de graça pura porque os eleitos haviam caído na mesma desgraça que os demais homens, por sua própria culpa. c) Esta graça de Deus se baseia na obra de Cristo. "...Deus nos escolheu nele (=em Cristo)..." (Efésios 1:4,11). Ele é o Mediador dos eleitos. Eles receberam a fé em Cristo e foram colocados na comunhão com Ele por meio da Palavra e do Espírito de Deus.
d) A eleição como demonstração da misericórdia de Deus é ensinada claramente pela Bíblia:"E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou, aos que justificou, também, glorificou" (Romanos 8:30).

Um só decreto de eleição. Sua base não é nossa fé mas o bom propósito de Deus. (I,8-10)
a) Existe um só decreto de eleição. Eleição não é uma coisa contínua porque Deus escolheu seu povo desde a eternidade.
b) A eleição não é baseada na fé, na obediência ou em qualquer boa qualidade dos crentes. Eles nem existiam quando Deus os escolheu. Por isso não podemos pensar que uma fé prevista por Deus é a base da escolha dEle.
c) A eleição divina não é por causa da fé, mas para a fé. Efésios 1:4 diz:"Porque Deus nos escolheu nele (=em Cristo) antes da criação do mundo, para sermos santos...". Em outras palavras, eleição causa a fé mas não é causada pela fé. A eleição divina é a fonte de todos os bens da salvação: fé, santidade, e a vida eterna.
d) Se queremos falar em causas da eleição, existe uma só:a livre vontade de Deus. Deus não olhou nossas qualidades ou boas obras para nos escolher. Ele nos adotou como seus filhos somente pela sua graça.

Eleição imutável e a certeza da eleição. (I,11-13)
a) Deus é sábio e imutável. Por isso nossa eleição é imutável. Ela não pode ser alterada, revogada ou anulada. João 10:28 ensina que ninguém será capaz de tirar as ovelhas da mão de Cristo.
b) Os eleitos receberão, no devido tempo, a certeza da sua eleição para a salvação. Esta certeza pode ser mais forte ou menos forte, mas nunca faltará porque os eleitos observam em si próprios os frutos da eleição. Eles são: fé verdadeira em Cristo, temor para com Deus, tristeza com seus pecados e a vontade de viver com Deus.
c) Tendo certeza da sua eleição, os filhos de Deus terão mais motivos para se humilhar perante Deus, adorar sua misericórdia, purificar-se e amar Deus que nos amou primeiro (1 João 4:19). A certeza da eleição não produz relaxamento e falsa segurança a não ser que pessoas usem essa doutrina como motivo para se gloriarem de si mesmas.

Como ensinar a eleição. (I,14)
a) A doutrina da divina eleição é bíblica. Ela foi pregada pelos profetas do Antigo Testamento, por Cristo mesmo e pelos apóstolos no Novo Testamento. Atos 20:27, "Pois não deixei de proclamar-lhes toda a vontade de Deus".
b) Por isso a eleição deve ser ensinada na Igreja, para a glória de Deus e consolação do seu povo.
c) Este ensino deve ser dado de um modo discreto e reverente sem curiosidade pelos caminhos do Altíssimo.

Reprovação. (I,15,16)
a) Eleição é um privilégio, uma coisa que ninguém merece. A Bíblia mostra isto pelo fato de que nem todos os homens foram eleitos. Deus os excluiu e passou na sua eleição. Decidiu deixá-los na miséria em que se lançaram por sua própria culpa. Decidiu não lhes dar a fé salvadora mas deixá-los em seus próprios caminhos e condená-los; não apenas por causa da sua increduli-dade, mas também por todos os seus pecados.
Isto se chama o decreto da reprovação. 1 Pedro 2:8 ensina:"Os que não crêem tropeçam, porque desobedecem à mensagem; para o que também foram destinados".
b) Este decreto não torna Deus o autor do pecado, mas O declara
o justo Juiz e Vingador do pecado.
c) A doutrina da reprovação não quer assustar os eleitos que nem sempre sentem uma fé forte ou confiança firme em seu coração. Se eles usarem os meios que Deus dá para fortalecer nossa fé e obediência, não precisam pensar que estão entre os reprovados. Deus não esmagará a cana quebrada (Isaías 42:3; Mateus 12:20).
d) Mas a doutrina da reprovação é assustadora para os que não contam com Deus e o Salvador Jesus Cristo.

A posição dos filhos dos crentes que morrem na infância. (I,17)
a) Os pais que temem a Deus não precisam nem devem duvidar da eleição e salvação de seus filhos que morrem na infância.
b) A Palavra de Deus testifica que os filhos dos crentes são santos em virtude da aliança da graça. Nela estão incluídos com seus pais. 1 Coríntios 7:14.

Contra o protesto, a adoração. (I,18)
a) Há pessoas que protestam contra a graça da eleição imerecida e a severidade da justa reprovação. Mas o apóstolo pergunta:"Quem é você, ó homem, para questionar a Deus?" (Romanos 9:20).
b) A única coisa que podemos fazer, em reverência por estes mistérios, é adorar a Deus com as palavras do apóstolo em Romanos 11:33-36, "Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus!...Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém".

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Os arminianos apresentaram muitas objeções contra esta doutrina da eleição e reprovação. Mencionaremos algumas delas e colocaremos o ensino da Escritura contra os erros arminianos:

erro 1: Os arminianos dizem que o decreto de Deus significa a vontade de Deus para salvar apenas aqueles que crerem.
Mas isto não é conforme a Escritura. Ela diz que Deus escolheu específicas pessoas desde a eternidade e lhes daria a fé em Cristo, nesta vida. Atos 13:48 diz:"...e creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna".

erro 2: Os arminianos dizem que há vários tipos de eleição divina, um geral, indefinido, revogável e condicional, e outro definido, decisivo e absoluto. Crentes podem perder sua fé. E pode haver pessoas, que crêem em Cristo, mas que não serão salvos definitivamente.
Dizer que há vários tipos de eleição é uma invenção humana sem nenhuma base na Escritura. Ela nos ensina em Romanos 8:30, "E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou". Esta é a corrente de ouro da nossa salvação que os arminianos quebram.
Há um só tipo de eleição que é definido, decisivo e absoluto.

erro 3: Os arminianos dizem que o bom propósito de Deus não significa que Ele escolheu certas pessoas e não outras. Deus escolheu apenas o ato de fé e a obediência da fé como condições de salvação, embora ninguém tenha uma fé perfeita. Na sua graça, Deus considera a fé imperfeita como perfeita e a recompensa com a vida eterna.
Este erro perigoso torna o mérito de Cristo sem valor. Também desvia as pessoas da verdade que a Escritura ensina em 2 Timóteo
1:9 : Deus "nos salvou...não em virtude de nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos...". Confira Efésios 2:3-9.

erro 4: Os arminianos dizem que a eleição definitiva de pessoas aconteceu porque Deus previu que elas continuariam em fé até o fim. Uma pessoa escolhida é mais digna que pessoas não-escolhidas. A fé é uma condição da eleição.
Este erro está em conflito com toda a Escritura:"...a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama..." (Romanos 9:11,12). "E, se é pela graça, já não é mais pelas obras; se fosse, a graça já não seria graça" (Romanos 11:6).

erro 5: Os arminianos dizem que, nesta vida, nenhum eleito tem certeza de sua eleição definitiva. Pode haver certeza mas ela depende de condições incertas.
Falar sobre uma certeza incerta é absurdo e contrário à experiên-cia dos crentes. Sentindo sua eleição, eles se alegram porque seus nomes estão escritos nos céus (Lucas 10:20). "Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem
os justifica" (Romanos 8:33).

erro 6: Os arminianos dizem que Deus não decidiu excluir ninguém quando deu sua graça, necessária para fé e conversão.
A Escritura fala diferente:"Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer, e endurece a quem ele quer" (Romanos 9:18). "Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado" (Mateus 11:25,26).

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Capítulo II: Deus salva seus filhos pela morte de Cristo

A morte de Cristo tem valor infinito porque deu a satisfação que o justo Deus exigia. (II,1-4)
a) Deus é muito misericordioso mas Ele é também totalmente justo. Sua justiça exige que os pecados que cometemos contra sua majestade sejam castigados nesta vida e na futura. Podemos escapar desse castigo somente dando satisfação a Deus.
b) Nós não somos capazes de dar esta satisfação. Foi Deus que nos deu seu único Filho para que fosse castigado em nosso lugar, pela morte na cruz.
c) Esta morte do Filho de Deus é o único meio de pagamento dos nossos pecados. É a satisfação perfeita, suficiente para tirar a culpa do mundo inteiro.
d) A morte de Cristo é de tão grande poder e valor porque Ele é verdadeiramente Deus e homem, e homem sem pecado. Assim Ele sentiu ao morrer a maldição de Deus sobre nossos pecados.
"Cristo...se tornou maldição em nosso lugar..." (Gálatas 3:13).

A mensagem do Evangelho é universal mas nem todos crêem nela. (II,5-7)
a) A promessa do Evangelho é que todo aquele que crer no Cristo crucificado seja liberto do castigo eterno e tenha a vida eterna.
Esta mensagem deve ser anunciada a todos, sem discriminação. Mas sempre com a ordem de se arrepender e crer.
b) Muitas pessoas, embora chamadas pelo Evangelho, não se
arrependem nem crêem em Cristo. Elas se perdem para sempre por causa da sua incredulidade e não por causa de algum defeito no sacrifício de Cristo na cruz. "...aqueles a quem anteriormente as boas novas foram pregadas não entraram (em Canaã) por causa da desobediência" (Hebreus 4:6).
c) Por outro lado, os que crêem e, pela morte de Cristo, são salvos do castigo eterno, recebem essa salvação apenas por causa da graça de Deus. Deus não deve a ninguém tal graça.

A morte de Cristo é eficaz. (II,8)
a) Deus o Pai quis, em sua graça, que a morte de seu Filho salvasse todos os eleitos. Daria somente a eles a fé salvadora.
b) Deus quis que Cristo derramasse seu sangue na cruz para salvar efetivamente todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade. Cristo lhes daria a fé e outros dons do Espírito Santo.
c) Deus quis também que Cristo guardasse os eleitos fielmente até o fim e os apresentasse ao Pai "sem mancha nem ruga" (Efésios 5:27).

A vontade de Deus cumprida. (II,9)
a) Esta vontade de Deus que vem do seu amor eterno aos eleitos tem sido cumprida com poder, desde o começo do mundo até hoje. Ela não pode ser frustrada pelo diabo mas sempre será cumprida.
b) No devido tempo os eleitos serão unidos em um só rebanho, e sempre haverá uma Igreja de crentes, fundada no sangue de Cristo. Esta Igreja ama seu Salvador porque Ele, como 'noivo', deu na cruz sua vida por sua 'noiva' (Efésios 5:25-27).

ERROS ARMINIANOS E O ENSINO DA ESCRITURA CONTRA ELES:
erro 1: Os arminianos dizem que Deus o Pai determinou a morte de seu Filho mas não para a salvação de um número específico de pessoas. Mesmo que ninguém fosse salvo pela morte dEle, ela poderia ter sido valiosa e necessária.
Mas esta doutrina arminiana ofende a sabedoria do Pai e o mereci-mento de Cristo. A Escritura afirma isto pelas palavras do Salvador:"...e dou a minha vida pelas ovelhas", e "eu as conheço"
(João 10:15,27). Em outras palavras, o Pai determinou, sim, a morte de seu Filho para o bem de pessoas específicas, as ovelhas de Cristo.

erro 2: Os arminianos afirmam que o sacrifício de Cristo não é para ninguém uma garantia absoluta da fé e da salvação. Ele apenas conseguiu para o Pai a possibilidade de con- tactar o homem e exigir novas condições. Depende, então, da livre vontade do homem se ele preenche estas condições. Talvez ninguém seja capaz de preenchê-las e ser salvo.
Mas desta maneira, os arminianos desprezam a morte de Cristo porque não reconhecem o seu mais importante resultado: a salvação dos eleitos.

erro 3: Os arminianos dizem que todas as pessoas têm sido aceitas por Deus. Todas elas estão reconciliadas com Deus e participam da Aliança de Deus. Por isso ninguém está condenável e todos estão livres da culpa do pecado original.
Mas esta opinião contraria a Escritura que ensina que nós "éramos por natureza merecedores da ira" (Efésios 2:3). O crente sabe que está salvo da ira de Deus, como diz Romanos 5:9: "muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus...".

erro 4: Os arminianos dizem que Deus quer dar a todas as pessoas os benefícios que vêm da morte de Cristo, o perdão dos pecados e a vida eterna. Somente uma parte das pessoas obtém estes benefícios. Isto depende da sua própria livre vontade que se junta à graça que Deus oferece a todos sem distinção.
Mas isto contraria o ensino de Efésios 2:8, "Pois vocês são salvos pela graça...".

erro 5: Os arminianos ensinam que aqueles que Deus amou e elegeu para a vida eterna não precisam da morte de Cristo. Não é verdade que Ele teve que morrer pelos eleitos.
Mas essa doutrina contradiz o apóstolo que declara em Gálatas 2:20 que o Filho de Deus "me amou e se entregou por mim". E Romanos 8:33,34 ensina que Cristo morreu pelos eleitos.

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Capítulos III/IV : Somente Deus cuida para converter seus eleitos (a corrupção do homem e sua conversão a Deus)

A queda no pecado tornou o homem corrupto: totalmente incapaz de se salvar. (III/IV,1-3)
a) O homem foi criado à imagem de Deus. Seu coração e sua vontade eram retos, puros e santos. Mas o homem perdeu, pela sua própria livre vontade, todos estes dons. Trouxe sobre si malícia e dureza em seu coração, e impureza em seus afetos e atos.
b) Esta corrupção passou de Adão até todos os seus descendentes, não por imitação, mas porque o homem corrompido gerou filhos corrompidos. Jó 15:14, "Que é o homem, para que seja puro, e o que nasce de mulher, para ser justo?". E Salmo 51:5, "Eu nasci na iniquidade...".
c) Todos nós nascemos incapazes de qualquer ação que nos salve. Nossa tendência é fazer o mal. Por nós mesmos somos mortos em nossos pecados (Efésios 2:1) e escravos do pecado (João 8:34): não desejamos nem podemos voltar a Deus e corrigir nossa natureza corrompida. Somente o Espírito Santo pode renová-la.

A luz da natureza e a lei são insuficientes de nos salvar. (III/IV, 4,5)
a) Depois que o homem caiu no pecado, ficou ainda com um resto de luz natural. Tem alguma noção sobre Deus e sobre a diferença entre o que é honrado e o que é desonrado.
b) Mas esta luz da natureza não ajuda o homem a chegar à verdadeira conversão a Deus. O homem nem é capaz de usar esta luz apropriadamente.
c) A mesma coisa tem que ser dita com a relação à lei dos Dez Mandamentos. Ela revela como é grande o pecado e convence o homem de sua culpa. Mas não dá a força para sair da miséria do pecado. A lei ficou sem força por causa da natureza corrompida do homem. Romanos 8:3 diz que "...a lei fora incapaz de fazer, por estar enfraquecida pela carne...". Por esta razão o homem não pode
obter o presente da salvação através da lei.

O Evangelho é necessário para a salvação mas não é enviado a todos. (III/IV,6,7)
a) Aquilo que a luz da natureza nem a lei podem fazer, Deus o faz pelo poder do Espírito Santo usando a pregação do Evangelho. O Evangelho sempre tem sido necessário para salvar os crentes.
b) No Antigo Testamento Deus revelou o Evangelho da salvação a poucas pessoas, os judeus. No Novo Testamento, Deus desfez a distinção entre os povos e enviou o Evangelho a muito mais pessoas.
c) Não é assim que um povo é mais digno de receber o Evangelho do que outro. "Pois em Deus não há parcialidade" (Romanos 2:11). Tudo depende da vontade soberana de Deus e do seu amor que ninguém merece.
d) Quem recebe o Evangelho deve reconhecer esta graça com humildade e gratidão em seu coração. Mas deve também respeitar os justos julgamentos de Deus sobre aqueles que não recebem o Evangelho.

O sério chamado pelo Evangelho mas nem todos os que são chamados vêm. (III/IV,8-10)
a) O chamado de Deus pelo Evangelho é uma coisa séria. Deus revela em sua Palavra sua vontade sincera: que venham a Ele todos os que são chamados. Sua promessa séria é a salvação para todos que a Ele vierem e crerem no Evangelho.
b) Mas muitos dos que são chamados através da pregação do Evangelho não vêm a Deus. Não é a culpa do Evangelho mas é sua própria culpa como ensina o Salvador na parábola do semeador (Mateus 13). Alguns ouvintes não aceitam a Palavra da vida por descuido. Outros de fato a recebem, mas não em seus corações, tendo apenas uma fé temporária. Ainda outros sufocam a Palavra
com as preocupações e prazeres deste mundo.
c) Outros que são chamados pelo Evangelho são convertidos, mas isto não é fruto da sua livre vontade. "...isso não depende do desejo ou do esforço humano..." (Romanos 9:16). A conversão do homem vem de Deus que o escolheu em Cristo desde a eternidade. Ele o chamou efetivamente, dando-lhe fé e arrependimento. Deus faz isto a fim de que o homem louve sua grande graça e se glorie no Senhor, e não em si mesmo (cf.1 Coríntios 1:31; 1 Pedro 2:9).

Como acontece a conversão do homem. (III/IV,11)
a) A verdadeira conversão é o que Deus faz nos eleitos segundo seu bom propósito. Ele faz com que ouçam o Evangelho mediante a pregação, e ilumina suas mentes pelo Espírito Santo para que entendam bem a verdade do Evangelho.
b) Pelo mesmo Espírito, Deus penetra os recantos mais íntimos do homem, abrindo e renovando o coração fechado e duro dele. Atos 16:14 diz que "O Senhor abriu" o coração de Lídia. A vontade do homem que estava morta pelo pecado, Deus a faz reviver; ela era
má, mas Deus a torna boa; era rebelde mas Deus a torna obediente. Movida pelo Espírito, a vontade renovada produzirá boas obras.

No fundo, a conversão é uma obra divina e incompreensível, chamada 'regeneração'. (III/IV,12,13)
a) A verdadeira conversão é uma obra de Deus, em nós e sem nós.
Ela é um renascer, uma nova criação ou regeneração.
b) Não é apenas a pregação que efetua esta regeneração porque
trata-se de uma obra sobrenatural, poderosa, maravilhosa e misteriosa. Regeneração não é inferior em poder à criação ou à ressurreição dos mortos, como testifica a Escritura em 2 Coríntios 5:17, "Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação".
c) A regeneração não é uma obra em que Deus faz a sua parte ficando ao poder do homem ser convertido ou não convertido. É Deus que opera efetivamente a regeneração de tal maneira que os eleitos passam a crer.
d) Sua vontade é renovada por Deus de tal maneira que os eleitos ficam ativos, sob a ação de Deus.
e) Os crentes não podem entender esta obra de Deus completamente, mas estão sentindo que, pela graça de Deus, realmente crêem.

Fé, um dom de Deus. (III/IV,14)
a) Efésios 2:8 ensina que a fé é um dom de Deus. Isto significa que Deus efetua no homem tanto a vontade de crer quanto o ato de crer como Filipenses 2:13 ensina.

b) A fé como dom de Deus não significa que Deus oferece ao homem a possibilidade de crer esperando do homem seu consentimento para crer. Mas a fé como dom de Deus significa que Deus cuida para que o homem queira crer e de fato creia.

Atitude cristã com respeito à graça imerecida de Deus.(III/IV,15)
a) Deus não deve a ninguém este dom da fé. O que Deus poderia dever a nós que nada temos de nós mesmos a não ser pecados? O dom da fé é uma coisa imerecida. Quem a recebe, deve e rende eterna gratidão a Deus.
b) Quem não recebe o dom da fé continua indiferente para com Deus e contente consigo mesmo.
c) Devemos respeitar outros crentes em cujas vidas Deus opera sua graça.
d) Devemos orar a Deus em favor daqueles que ainda não foram
chamados. Orgulho seria uma atitude errada: nossa posição distinta de crente não é uma obra de nós. "Pois, quem torna você diferente de qualquer outra pessoa? O que você tem que não tenha recebido? E se o recebeu, por que se orgulha, como se assim não fosse" (1 Coríntios 4:7).

A vontade do homem convertido não é eliminada mas vivificada.
(III/IV,16)
a) O homem caído em pecado ainda sabe pensar e querer embora o pecado o tenha tornado depravado. Quando Deus age com sua obra de regeneração, Ele não trata os homens como máquinas.
b) A graça de Deus não destrói a vontade humana mas a faz reviver. Deus cura, corrige e dobra a vontade do homem eleito agradavel e poderosamente. "pois é Deus quem efetua em vocês... o querer..." (Filipenses 2:13).
c) O resultado é que, no lugar de rebelião e resistência, ficará viva uma obediência sincera, pela ação do Espírito. Querer o que Deus quer:eis aqui a verdadeira liberdade da vontade. Esta é a verdadeira renovação espiritual.
d) Se Deus não agisse, o homem não teria nenhuma esperança de se levantar da sua queda e nunca teria uma livre vontade.

É preciso usar os meios da graça que Deus nos dá. (III/IV,17)
a) Deus usa certos meios para sustentar nossa vida natural.
Estes meios não diminuem o poder de Deus mas fazem parte dele. Da mesma maneira a obra sobrenatural que Deus faz, dando vida nova ao homem, inclui o uso do meio do Evangelho.
b) Deus, em sua sabedoria, usa o Evangelho como a semente da regeneração. Os apóstolos e outros mestres instruíram o povo de Deus sobre a graça de Deus, para sua glória e para humilhar o homem orgulhoso. Para isto usaram os meios da pregação, dos sacramentos e da disciplina. "...a fé vem por ouvir a mensagem ..." (Romanos 10:17).
c) Mestres e discípulos na Igreja de hoje devem usar estes meios da graça porque é assim que Deus nos usa. Nosso desempenho em usar seus meios serve para a obra que Deus opera em nós. Somente a Ele toda glória, tanto pelos meios quanto pelo efeito da obra da salvação.

ERROS ARMINIANOS E O ENSINO DA ESCRITURA CONTRA ELES:
erro 1: Os arminianos acreditam que o homem, quando caiu no pecado, não perdeu dons como a bondade, a santidade e a justiça, mas ainda os possui apesar da sua morte espiri- tual. O homem não tem uma vontade corrompida, mas apenas confusa, e seu entendimento é apenas obscurecido. Mas se o homem remover estes obstáculos, sua vontade pode se tornar livre. Ela já é capaz de desejar e escolher o bem.
A Escritura fala diferente. Jeremias 17:9 ensina que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto...". O homem natural ou não-regenerado não tem uma
vontade livre como também o apóstolo Paulo ensina em Efésios 2:3, "Outrora todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as
vontade da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos".

erro 2: Os arminianos pensam que o homem não-regenerado não é totalmente morto em seus pecados e ainda tem a capacidade de fazer o bem. Ele pode desejar a salvação e se humilhar perante Deus. Isto agrada a Deus.
Mas estes pensamentos são contrários ao testemunho claro da
Escritura: "Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados ...Todavia, Deus...deu-nos vida..." (Efésios 2:1,4,5). Gênesis 6:5 diz sobre o homem:"...era continuamente mau todo o desígnio do seu coração". Além disso, somente os regenerados têm sede de salvação, e se humilham perante Deus (Salmo 51:19 e Mateus 5:6).

erro 3: Os arminianos dizem que o homem não-convertido pode usar bem a luz natural. Assim ele, sozinho, pode alcançar uma graça maior, a graça salvadora. Desta maneira, Deus, por seu lado, mostra-se pronto para revelar Cristo a todos os homens.
Mas a Escritura bem como a experiência de todos os tempos testi-ficam que isto não é verdade. O Salmo 147:19,20 ensina que Deus
mostrou sua palavra a Israel, o que não fez a nenhuma outra
nação; as demais nações ignoraram os mandamentos de Deus. Elas não alcançaram nenhuma graça, sozinhas. Todos os povos andavam nos seus próprios caminhos, diz Atos 14:16.

erro 4: Os arminianos ensinam que a verdadeira conversão do homem não depende de Deus. Não é Ele que muda a vontade do homem. Por isso a fé não é um dom de Deus mas é um ato do homem, sendo o começo da conversão. Somente o poderpara alcançar a fé é um dom de Deus.
Mas este ensino contradiz a Escritura que declara que é preciso que Deus mude nossos corações, dando-nos fé, obediência e a experiência de seu amor. "Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também nos corações lhas inscreverei" (Jeremias 31:33). Romanos 5:5 diz que "o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado". E Jeremias ora assim:"Converte-me, e serei convertido".

erro 5: Os arminianos afirmam que a única obra de Deus em nossa conversão é seu apelo moral ou conselho gentil. Esta maneira de converter o homem é a mais nobre e está mais em harmonia com sua natureza. Ela é suficiente para converter o homem natural e produz o consentimento da sua vontade.
Mas esta afirmação é contrária a toda a Escritura que conhece, além deste apelo moral, outra operação, muito mais poderosa e divina: a ação do Espírito Santo na conversão do homem:"Dar-vos-
ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo..." (Ezequiel 36:26). E Davi pede a Deus em Salmo 51:10:"Cria em mim, ó Deus, um coração novo".

erro 6: Os arminianos ensinam que Deus, na regeneração do homem, não usa seus poderes de tal maneira que dobre a vontade do homem. O homem pode resistir quando Deus tem a vontade de regenerá-lo. Pode até impedir sua própria regeneração. Ser ou não ser convertido permanece no poder do homem.
Mas isto é nada mais nada menos que anular todo o poder da graça de Deus em nossa conversão. É sujeitar a operação do Deus todo-poderoso à vontade do homem. Os apóstolos ensinam o contrário:
Deus age "conforme a atuação da sua poderosa força" (Efésios
1:19), "...para que o nosso Deus..., com poder, cumpra todo bom
propósito e toda obra de fé" (2 Tess.1:11).

erro 7: Os arminianos dizem que a graça de Deus e a livre vontade do homem operam juntas no início da sua conversão. Deus não toma a iniciativa. Somente se o próprio homem decidir se converter, Deus ajudará o homem na sua conversão.
Mas esta doutrina, que era dos pelagianos, já foi condenada pela Igreja Antiga de acordo com o ensino do apóstolo:"Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus" (Romanos 9:16), "pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele" (Fil.2:13).



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Capítulo V: Deus dá a seus filhos o poder de permanecer na salvação (a perseverança dos santos)

O homem convertido ou regenerado ainda não está livre dos pecados de fraqueza, mas Deus o preserva na salvação. (V,1-3)
a) As pessoas que Deus chamou e regenerou pelo seu Santo Espírito estão livres do domínio do pecado. Mas Deus não as livra total-mente da carne e do corpo do pecado, como diz Romanos 7:24, "Miserável homem que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?".
b) Os crentes pecam todos os dias por fraqueza e até suas melhores obras são imperfeitas. Isto é para eles motivo para humilhar-se perante Deus e sempre procurar Cristo. É também motivo para lutar contra o pecado, orar, treinar em piedade e zelar pela perfeição.
c) O convertido não permaneceria na salvação se dependesse de suas próprias forças. As fraquezas, as tentações do mundo e de Satanás são a causa disto. Mas Deus é fiel e o confirma na graça, uma vez dada, e o preserva na salvação até o fim.

O crente pode cair em pecados grosseiros com efeitos sérios.
(V,4,5)
a) O poder de Deus que preserva o verdadeiro crente na salvação é maior que a natureza pecaminosa do homem. Mas nem sempre ele é guiado por Deus e assim poderia, por sua própria culpa, desviar-se da direção da graça e seguir desejos pecaminosos.
b) O homem convertido deve, constantemente, vigiar e orar contra as tentações. Se não fizer isto, poderá ser levado para pecados
grosseiros. Isto acontece muitas vezes pela justa permissão de Deus, o que a Escritura demonstra pela queda de Davi, Pedro e outros homens santos. "...estejamos atentos e sejamos sóbrios"
(1 Tessalonicenses 5:6).
c) Os efeitos sérios de tais pecados são que o crente se torna culpado da morte, entristece o Espírito Santo, não pratica a fé e algumas vezes perde, por algum tempo, a sensação da graça.
d) Mas quando volta a Deus por meio de arrependimento sincero, Deus lhe mostra sua bondade paternal.

Deus não permite que seus eleitos se percam mas quer renová-los para arrependimento. (V,6,7)
a) Deus não retira completamente o seu Espírito quando pessoas eleitas caem em pecado. Não permite que elas, quando caírem, deixem de ser filhos adotivos dEle e se percam eternamente.
b) Deus preserva a semente da regeneração em seus eleitos mesmo quando caem em pecado. Ele os renova, através da sua Palavra e do seu Espírito, para o verdadeiro arrependimento. "Pois vocês foram regenerados, não de uma semente perecível, mas imperecível,
por meio da palavra de Deus, viva e permanente" (1 Pedro 1:23).
c) O resultado desta ação de Deus será que os eleitos se sentirão aflitos por causa dos seus pecados, e procurarão e receberão perdão pelo sangue de Cristo. Também terão novamente a experiên-cia da graça de Deus e adorarão sua misericórdia, zelando com mais fervor por sua salvação.

A graça do triuno Deus preserva os eleitos; eles terão certeza disto. (V,8,9)
a) O fato de os eleitos não perderem totalmente a fé, nem permanecerem caídos ou se perderem de vez, não é devido a seus próprios méritos ou força, mas à imerecida misericórdia de Deus.
Os próprios eleitos facilmente poderiam perder-se de vez.
b) Mas Deus não deixará cair seus eleitos. Sua promessa e seu chamado não podem ser mudados, quebrados e revogados. Além disto, o mérito de Cristo e sua obra de interceder e preservar os eleitos ficam válidos. Também a obra do Espírito Santo em nós não será frustrada nem destruída.
c) Os crentes podem ficar certos de que estarão preservados na
salvação e irão perseverar na fé. Esta certeza é de acordo com a medida de sua fé. "O Senhor...me levará a salvo para o seu Reino celestial..." (2 Timóteo 4:18).

Esta certeza tem fundamento mas nem sempre é sentida. (V,10,11) a) A certeza da perseverança na salvação não vem de uma reve-lação especial, fora da Palavra. Ela vem da fé nas promessas de Deus. Ele as revelou em sua Palavra, em detalhes, para nos dar firmeza.
b) Esta certeza vem também do testemunho do Espírito Santo: Ele "testifica com o nosso espírito que somos filhos e herdeiros de Deus" (Romanos 8:16,17).
c) Finalmente, o zelo sério do crente por uma vida verdadeira-mente cristã dá também certeza sobre a salvação.
d) Devido às tentações, os crentes nem sempre sentem plenamente
esta certeza. Mas Deus o Pai não os deixa ser tentados acima das suas forças (1 Coríntios 10:13) e os livra das tentações. E o Espírito Santo dá aos eleitos a certeza de que irão perseverar na fé.

A certeza da perseverança não leva a acomodação mas produz dili-
gência e inclui o uso de meios. (V,12-14)
a) A certeza da perseverança não produz orgulho e acomodação nos verdadeiros crentes. Ao contrário, ela leva a humildade, reve-rência para com Deus, piedade e prática de boas obras.
b) Quando crentes caem no pecado e depois voltam a Deus, começam também a reviver a confiança de que perseveram na fé. Isto não produz descuido na vida cristã mas diligência para guardar os caminhos do Senhor.
c) É andando nestes caminhos que o crente guardará a certeza de que irá perseverar na salvação. Deus não o abandonará.
"Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazer boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos" (Efésios 2:10).
d) Deus usou a pregação do Evangelho para iniciar sua obra da graça em nós. Da mesma forma Ele continua e aperfeiçoa sua obra
pelo ouvir, ler e meditar no Evangelho, e pelo uso dos sacra-mentos. O uso destes meios dará aos crentes mais certeza da sua salvação.

A doutrina da perseverança dos crentes é odiada por Satanás mas amada pela Igreja. (V,15)
a) Deus revelou em sua Palavra esta doutrina da perseverança dos verdadeiros crentes, e da certeza dela. Deus quer ser glorificado e quer consolar os crentes.
b) O homem não-convertido não pode entender esta doutrina que Deus imprime nos corações dos crentes.
c) Satanás odeia essa doutrina, o mundo incrédulo zomba dela e falsos mestres se opõem a ela.
d) Mas a Igreja sempre tem amado e defendido essa doutrina como um tesouro de grande valor. O Deus todo-poderoso faz com que a Igreja permaneça nesta doutrina da perseverança na salvação.
A Ele, Pai, Filho e Espírito Santo, sejam a honra e a glória para sempre. Amém.

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ERROS ARMINIANOS E O ENSINO DA ESCRITURA CONTRA ELES:
erro 1: Os arminianos afirmam que a perseverança dos verdadeiros crentes não é resultado da eleição de Deus ou um dom de Deus baseado na morte de Cristo. Pelo contrário, perse- verar na salvação é uma condição na nova aliança para ser eleito definitivamente. A perseverança depende da vontade do próprio homem.
Mas a Escritura testifica, sim, que a perseverança é resultado
da eleição e é dada aos eleitos pelo poder da morte, ressurreição e intercessão de Cristo. "Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará?
Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo?" (Romanos 8:33-35).

erro 2: Os arminianos ensinam que crentes que realmente foram convertidos poderiam perder, de vez, a fé e a salvação.
Não só poderiam perder a salvação, mas acontece muitas vezes que crentes perdem a salvação.
Mas este ensino invalida a obra de Cristo que, de fato, nos reconcilia com Deus, nos regenera e sempre preserva. O ensino arminiano é contrário às palavras de Cristo e seus apóstolos:"Eu lhes dou a vida eterna, e elas (as ovelhas) jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão. Meu Pai, que as deu para mim, é maior que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai" (João 10:28,29); "Mas Deus demonstrou seu amor por nós pelo fato de Cristo ter morrido em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele!" (Romanos 5:8,9); "Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele...é nascido de Deus" (1 João 3:9).

erro 3: Os arminianos pensam que o homem não pode ter, nesta vida, nenhuma certeza de que irá perseverar na salvação, se não receber uma revelação especial.
Mas este pensamento tira o consolo seguro dos crentes nesta vida, semeando dúvidas como faz a doutrina romana. A Escritura baseia a segurança do crente nas promessas firmes de Deus, e não numa revelação especial. "...nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8:39). Esta segurança conhecemos também pelo ensino da Escritura sobre a vida dos filhos de Deus:"Os que obedecem aos seus mandamentos permenecem nele (em Deus), e ele (Deus) neles. Desse modo sabemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu" (1 João 3:24).

erro 4: Os arminianos dizem que a doutrina da perseverança e da certeza da salvação causa falsa segurança e prejudica a
vida cristã. Duvidar desta certeza é até louvável.
Mas esta falsa doutrina ignora o poder efetivo da graça de Deus. Ignora também a operação do Espírito Santo que habita em nós. O apóstolo João ensina a verdade:"Amados, agora somos filhos de Deus...sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele..." (1 João 3:2). Ainda mais, temos os exemplos dos crentes do Antigo e do Novo Testamentos que, embora certos da sua salvação e da perseverança, continuaram praticando a vida da fé.

erro 5: Os arminianos ensinam que a fé temporária não é diferente
da fé salvadora. Só é diferente quanto à sua duração.
Mas Cristo ensina claramente, em Mateus 13:20-23 e Lucas 8:13-15
que, além da diferença em duração, há três diferenças entre os que crêem só por um tempo e os verdadeiros crentes: os primeiros recebe a semente em solo rochoso, mas os segundos em bom solo, ou seja em bom coração; os primeiros são sem raiz, mas os segundos têm firme raiz; os primeiros não têm frutos, mas os segundos produzem frutos em várias medidas, sem parar.

erro 6: Os arminianos afirmam que Cristo nunca orou para que os crentes perseverássem na fé sem falhar.
Mas isto contradiz ao próprio Cristo que diz:"Mas eu orei por você (Pedro), para que a sua fé não desfaleça..." (Lucas 22:32), e o apóstolo João declara que Cristo orava pelos apóstolos e também por todos os demais discípulos:"...Pai santo, protege-os em teu nome...Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno...Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles..." (João 17:11,15,20).

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